sexta-feira, 6 de maio de 2011

lona.

Como esquecer pode ser uma maneira de encontrar. E ao fechar os olhos por te ver ir embora, no vento de uma brisa pálida qualquer, sinto-te aqui. Sinto-te comigo. Com gola incomodando, com sorriso embriagado e com cigarro na mão fica como um rei. Alçando normas prum reino que nem sei se existe, ou se existe não é pra mim. Nem nunca foi. Eu que sou egoísta o suficiente pra achar que tudo me veste, tudo me cabe, tudo me serve. Minha cama escutava meu silêncio como há tempos não ouvia. Prestava atenção na respiração leve e se assustava quando eu parecia não respirar. Minha cama companheira de badernas e sons expansivos frutos das insônias até o amanhecer. Eu, inerte. Sofrida de uma carne barata. Boba como jamais me vi antes. Minhas noites são mote pra inspiração literária abstrata, pouco descritiva. Entende quem me entende. Mas quem me entende? Per se lá se vão meus segredos. E olha que escrever assim sobre a noite não é fácil. Segredo é uma coisa difícil. Dormir sozinho é uma coisa difícil. Dormir é uma coisa difícil. Principalmente quando a minha janela me mostra uma cidade de possibilidades e promessas de alegria inebriante contrastada com pouca culpa e muito aconchego. E quando vejo, já chego do lado de fora. E a noite me cai mais uma vez confortante. O que é esse impulso que você joga em mim? Me apaixona e me deixa? E me leva pro sono que eu não tenho. E me tira o pesadelo vão pra ocupar meu sonho com tua imagem a consolar-me. Ora, que minha cabeça já não aguenta mais. Assim não pode mais. Você me servir de inspiração. Um, dois, três, sete dias seguidos! Seguimento. Acompanhamento. Ligações, mudez, cumplicidade. Não aguento mais. Me livra desse sufocamento. Me faça não mais escrever sobre você. Me faça lembrar das flores, do céu, da metafísica. Me recupera a literariedade da imaginação. Me devolve pra mim. Porque ficar assim de fora desse corpo está sendo impossível.

Não vou mais te contar minhas histórias. Porque? Porque tenho medo de você não me querer mais.

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