domingo, 4 de março de 2012

eu sinto muito.

Ela deixou uma carta assim:

Eu sinto muito. Vou sumir por um tempo. Só por um tempo. Você não vai conseguir me encontrar. Endereço nem celular. Aquela que você conheceu não existe mais. O que existe agora é uma menina a qual você não conseguiu cuidar. O que existe agora é sombra. E eu sinto muito, muito mesmo. Enquanto seus argumentos eram irrefutáveis, eu calava. Você não me dava ouvidos. Enquanto seus olhos olhavam ao redor, eu os olhava, brilhando em outra direção, distante, longe. Enquanto eu amava, você calou. E quando estive à vontade, você me tolhia. Criticava minhas opiniões, minhas explicações, meus gostos, meus amigos, meus desejos, meus sonhos, meu batom, minha roupa. E então eu me anulei. Você nunca conseguiu entender, não é mesmo? Que a moça que você conquistou foi a mesma que você destruiu. Pelas beiradas. Privou-me de minha inocência, de minha leveza, de minha luz. Você não viu. Você estava imerso em você. Você está imerso em você. Só por um tempo você não vai conseguir me encontrar. Só por um tempo. Porque eu cansei. O que existe agora é uma mulher que cansou de ser menina.

Ela, pela primeira vez, não assinou, não mandou beijos e não molhou o papel.

Ele pela primeira vez, acreditou.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

gordinha e ruiva.

Enquanto ele se desenvolvia para tentar ser um magnata, com grana, poder, terno e gravata, ela sofria alucináveis noites de insônia depois do trabalho, como babá. Ele, branquelo, muito alto, sem muita gordura, sem muito músculo. Ela, gorda e ruiva como a fênix. E se encontraram no aniversário da Glorinha, uma amiga vesga, mas que era super gente boa. Ele não conseguia acreditar como uma gorda poderia ser tão delicada e simpática. Ela reparou a noite inteira no seu zíper aberto, mas ficou sem coragem de avisar. Ela tinha ido pra lá de metrô, ele de chevete. Depois da carona, trocaram telefone ela dormiu bem a noite, desacreditando que ele ligaria algum dia. Ele foi embora, fascinado. Agora ele se referia a ela em pensamentos como a "gordinha ruiva". Ele nunca ligou porque nos dias que se seguiram foi chamado pra um estágio na defensoria do estado, ficou deslumbrado, vendeu o chevete, foi assaltado na estação de metrô e perdeu seu celular. Ela já sabia. Suas noites de insônia porém, nunca mais voltaram. Resolveu fazer um curso de maquiagem, conheceu o Jorge, um viado de cabelo comprido e corpo atlético que repicou seus cabelos e a matriculou na academia. Ela precisava perder peso, afirmava o Jorge.

Três anos depois num elevador em Nova York eles se reencontraram. Ela num vestido vermelho de gala estonteante, com os cabelos bem curtos, quinze quilos mais magra, acompanhada do seu namorado, o Fred, um bilionário americano. Ele de smoking, gordo, acompanhado da sua esposa, a Verinha, que por ironia do destino, era gordinha e ruiva.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

regresso.

Voltei da folia. Tenho muita coisa na cabeça pra escrever, mas agora escrevo nada. Só queria dizer que foliei o quanto pude. E pronto.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

a verdade.

Pra falar a verdade, estou louca pra chegar o carnaval, pra ver se lava toda essa mágoa que anda por aqui.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

tópicos desorganizados pelos trovões da chuva.

Estou assumidamente cansada de falsos moralismos, de filosofia barata de bar, de cerveja e de fingimentos no geral.

Nasceu uma espinha entre meu nariz e minha boca. Feia.

Essa chuva me desanima.

Foi difícil voltar pra casa hoje.

O tempo está passando muito rápido. Fevereiro já ta aí e pronto, carnaval.

To me guardando pra quando o carnaval chegar.